|
A Família do Anderson
Essa semana conheci o Anderson. Quatro anos. Magricelo, com os dentinhos separados, ansioso para conversar e perguntar sobre tudo o que estava em minhas mãos, toda hora os pais pediam para que ele parasse de mexer nas coisas e diziam: “- Tá vendo? É assim o tempo todo...”
Também conheci Sara. Quatro anos, também. Cabelos castanhos, agitada, o tempo todo andando de um lado para o outro, conversando e chamando atenção para si, como toda criança normal e saudável gosta de fazer. Filha do meio, dentre três irmãs. A mais nova, de poucos meses, ao colo da mãe e a mais velha, com 10 anos, talvez. Logo depois do Anderson ter dito seu nome e sua idade, ela declara: “Ele é meu irmão”. E continua a falar animadamente, procurando ocupar um lugar que pudesse ter as atenções para si.
Até aí nada demais. Por isso, vamos voltar ao início da história. Encontrei a família na subida do morro do teleférico, perguntando se queriam uma carona até a estação. Para descer, dizem que tudo ajuda naquela estradinha íngreme onde até mesmo de carro alguns perguntam se conseguirão chegar lá em cima. Para os moradores da região, uma maratona diária de muitos anos, hoje facilitada para aqueles que desejam ir para Bonsucesso e podem pegar o teleférico, saltando diretamente na estação da Praça das Nações.
Eles queriam retornar para a estação do Adeus, onde haviam saltado para apreciar o belo visual que se tem de lá, apesar do dia nublado e o anúncio de chuva, que chegaria ao final da tarde com muita ventania. O pai armava o carrinho de bebê, achando que poderia ser mais fácil empurrar o Anderson de volta nele do que sair puxando por aquela inclinação. Quando ofereci a carona, olhou para a esposa com a filhinha mais nova ao colo e agradeceram muito.
Aproveitando como qualquer turista que pela primeira vez tinham feito o passeio pelo circuito do teleférico, depois de buscarem o Anderson, que passa de uma semana a dez dias por mês com eles. “Ele é órfão de pai e mãe e é criado por um casal de amigos nossos”. Moradores de Belford Roxo, vão pelo menos uma vez por mês ao Complexo do Alemão para cuidarem desse menino, que já é tratado como irmão pelas meninas.
O encontro com o Anderson aconteceu mais tarde na estação de Bonsucesso, depois que saíram do teleférico e pretendiam retornar para casa de trem. Por volta de quatro e meia da tarde, outra missão que parecia quase tão impossível para eles com quatro crianças, já que os trens circulam com excessos de passageiros, como seria imaginar que com três filhas ainda pequenas, partilhassem com um casal amigo a criação desse garoto órfão.
Amor, carinho, dedicação, desapego, altruísmo, respeito, generosidade, quantas palavras e sentimentos podemos usar para descrever o gesto dessa família que ainda encontrava espaço para dividirem a atenção com mais alguém? Que tipo de orientação era dada para que Sara encontrasse em Anderson mais um irmão? Sem ciúmes, demonstrava orgulho ao referir-se a ele. Do “pai”, era assim que o chamava, recebia carinho, colo e as mesmas brincadeiras que eram feitas com as outras.
Não é difícil lembrarmos do refrão de uma música que era cantada há alguns anos passados, quando por diversas vezes foram publicadas notícias em um desses jornais populares que gostam de exibir notícias escandalosas, e que publicavam com grande ênfase como se fossem de alta relevância jornalística e social, as festas feitas para uma certa cadelinha de estimação que recebeu festa de aniversário e coleira de brilhantes como presente: “ - Troque o seu cachorro por uma criança pobre”.
Faz bem ao coração, faz bem sabermos que muitas pessoas como essa família, possuem algo mais a compartilhar do que os parcos recursos com que em meio a dificuldades criam suas próprias famílias. Faz bem saber que esses sentimentos são mais do que meros discursos dos muitos que ouvimos de dirigentes de Ongs e Associações filantrópicas que estão sempre fazendo o bem com recursos alheios, enquanto seus dirigentes gostam de dirigir carros novos.
Faz bem sabermos que esse tipo de atitude pode ser adotado por mim ou por você, pessoas tão comuns como essa família que encontrei, mas não tive sequer a educação ou gentileza de perguntar pelo nome do pai e daquela mãe. Para mim, ficaram como a família da Sara e do Anderson, um menino órfão que exibia um sorriso de alegria e felicidade de quem encontrou alguém que desejava e fazia o que era possível para que ele fosse feliz!
Alberto
Stassen
PARA
PENSAR!
“Mágico espelho meu, quem é mais bela do que eu?” Essa era a pergunta que a madrasta do filme “ A Branca de Neve ” fazia todos os dias para o espelho mágico. Afinal, era apenas com isso que ela se preocupava: em ser a mais bela de todas!
Em seu excesso de confiança, a madrasta não imaginava que seu 1° lugar no ranking da beleza estava com os dias contados, pois Branca de Neve possuía uma beleza exterior ainda maior. E sua generosidade, ingenuidade e bondade tornavam-na ainda mais especial e bela que a rainha.
Assim como no filme, muitas pessoas fazem como a rainha: esquecem-se de cuidar do interior e dão uma importância maior do que deviam para a aparência. A Bíblia diz em 1 Pedro 3:3-4 “ O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranqüilo, que és, para que permaneçam as coisas. ” Nestes versículos podemos observar o quanto Deus deseja que as pessoas cuidem do seu interior e que aquilo que nos mantenha não seja a aparência física, mas sim, a espiritual.
Lembre-se, é necessário cuidar de nossas emoções, de nossas atitudes, de nossas escolhas, de nossa mente e de nossa vida espiritual. Porque se estivermos mal com elas, logo nosso rosto não ficará bem. Não deixe para amanhã mudanças que pode começar hoje.
Pense nisso!
Diana
Trajano |