| Homenagem
Os
calendários são interessantes. Marcam
os dias e são cheios de dias especiais. Através
de leis e interesses, criam-se dias de homenagens
a tudo e a todos. Dias santos, cívicos, especiais,
de objetos, comemorativos, memoriais, tem dia para
tudo.
Um
dia desses foi o Dia Internacional da Mulher. Elas
merecem. Por tudo que são. Entrar em descrições
do que são e sobre o que fazem... bem, tanta
gente já faz isso, que às vezes falta
criatividade ou imaginação para se
acrescentar qualquer coisa de mais significativo
que possa ser dito.
Há
aquelas homenagens que acontecem no trabalho. Aconteceu
aqui. Um Vice-Presidente da empresa estava aqui.
Trouxe uma palavra especial, só para elas.
Enquanto elas recebiam essa primeira homenagem,
começaram a preparar a mesa com salgadinhos
e com bolo. Mesa preparada pelos homens. Falta jeito.
Falta aquele toque especial que deixa as coisas
mais bonitas, mesmo quando só se tem as mesmas
coisas de sempre para usar, desde que feito por
elas.
O bolo... Bonito. E quando pudemos comer depois,
descobrimos que era gostoso também. Recheio
de morango. E como cobertura uma daquelas telas
que se come junto com ele, com as fotos de todas
as mulheres do setor. Que por sinal, ganhariam qualquer
votação feita ali por maioria ampla.
Mas, o destaque foram os discursos de homenagem.
Com grande "criatividade", o primeiro
começou assim: “Depois de fazermos
uma ampla e profunda pesquisa a dez minutos, escolhemos
esse texto ... blá, blá, blá...
e para terminar...” Aplausos... Educados,
corteses, aplausos... E a frase expressiva de uma
das homenageadas: “Vamos aplaudir, por que
afinal de contas, ele conseguiu terminar a leitura,
mesmo gaguejando...”.
Nas palavras seguintes, provas da sensibilidade
de que tantas vezes nos utilizamos quando queremos
expressar nossos sentimentos: “Vocês
são um tsunami de emoções...
um maremoto de coisas boas...”. Embora marcante
a grandiosidade desses fenômenos naturais,
estão muito mais associados à fúria
com que a natureza reage por razões que escapam
à nossa razão, causando destruição,
do que a coisas boas. A sensibilidade feminina acusa
isso rapidamente.
Mostramos a importância que damos para os
que estão ao nosso redor, para aqueles que
amamos, nas pequenas coisas. Não precisam
grandes e longos discursos. Mas, no preparo que
mostramos. Na escolha das palavras. No sentimento
que passamos, ainda que nada falemos. Há
uma passagem na Bíblia que diz que a boca
fala sobre aquilo de que o coração
está cheio.
E o coração tem muito mais para falar
do que tudo que se pode encontrar na Internet.
Jesus sabia disso e acusava o golpe, sempre que
tentavam usar contra ele. Uma vez, alguém
lhe disse: “Olha, eu estou pronto para te
seguir a qualquer lugar”. Sua resposta foi:
“Tá legal, então vai e vende
tudo que você tem e dá para quem precisa”.
Aquela pessoa abaixou a cabeça, não
há registro de que tenha replicado, e foi
embora triste.
Podemos usar palavras bonitas e discursos bem elaborados,
mas não podemos enganar nossos sentimentos.
E muito menos daqueles que nos ouvem. Relacionamentos
e amizades se desgastam por causa disso. Em algum
momento as palavras começam a vazar os verdadeiros
sentimentos do coração. E se esses
não correspondem com aquilo que se vive no
dia a dia, cria-se um vácuo entre as pessoas.
Elas se perdem. Elas se vão.
Pararmos e perguntarmos antes de falar: “qual
seria minha reação se eu ouvisse essas
palavras?”, pode ser um começo de bom
caminho. Como só queremos o que é
bom para nós, fazermos com o outro aquilo
que gostaríamos que fizessem conosco, pode
resolver muitos problemas. Pode até nem ser
exatamente aquilo que ele ou ela gostaria de receber,
mas reconhecerá e apreciará a intenção.
Pequenos gestos e palavras simples, mas que expressam
sentimentos verdadeiros, tocam mais as pessoas do
que belos discursos apresentados por bons oradores.
Pessoas vêem as intenções e
sentem as emoções. As outras coisas
se perdem.
Use essas coisas em abundância. Faça
alguém feliz.
Seja feliz!
Alberto
Stassen
|